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Exhibir os efectos da sociedade de consumo: «Gran tiburón branco», de Samuel Solleiro. Crítica en Novas da Galiza

O xornal Novas da Galiza publicou unha recensión asinada por A.L. sobre o libro Gran tiburón branco, de Samuel Solleiro.

 

Gran tiburón branco, de Samuel Solleiro

O turista nom vê o grande tubarom branco. Achega-se até os recifes de coral com a sua jovencíssima mulher, contrata mesmo um guia (o qual manterá relaçons sexuais com a sua esposa às suas costas). Mas apenas poderá observar tal mítico animal nas toalhas dos mercadinhos, e de topá-lo de verdade é possível que nom o chegasse a ver com os seus próprios olhos, senom através dumha cámara digital de última geraçom. Esta é umhas das cenas das quais nos fai testemunhas Samuel Solleiro na sua coleçom de contos Gran tiburón blanco que editou recentemente Xerais e que conta também com as fotos de Alba Vinhas.

Solleiro propom cinco relatos onde os seus protagonistas, mais que personagens com umha história trabalhada, som a escusa perfeita para exibir os diversos efeitos que a atual sociedade do hiperconsumo provoca na vida mais íntima da gente. As personagens caminham pola vida sem referentes reais, da escritora incapaz de elaborar nenhum tipo de narraçom coerente até o músico que se consola escuitando

sons da indústria musical jazzística enquanto todo o seu mundo se desmorona.

O sexo e as novas tecnologias som também protagonistas das histórias. Internet aparece como um mundo em que se podem atopar remédios esotéricos para as doenças, Google é a nova enciclopédia onde se procura todo tipo de informaçom… O sexo aparece como algo mui diferente do amor, quase como um conflito entre as fantasias sexuais das personagens e o sexo realmente existente e insatisfatório.

No último dos contos, titulado “Guerra civil”, oferece-se umha perspetiva diferente da dos outros quatro. Se bem os anteriores poderiam suceder em qualquer lugar do mundo, este situa-se na localidade de Tui, onde o narrador expom as suas lembranças da adolescência de experimentos com cámaras de vídeo, cadáveres nos rios e práticas masturbatórias.

Já situado na atualidade e num lugar que parece afastado das situaçons que se leram nas histórias precedentes, o protagonista nota que “hai un latexo estraño nas cousas. Como se todo estivese aí e antes de retirar a vista se desprazase lixeiramente, ziiip, cara a un lado”.

Gran tiburón branco é umha exposiçom dos comportamentos humanos nesta sociedade do hiperconsumo, especialmente na esfera da vida privada. Seria estranho que algumha das pessoas que leia este livro nom se sinta refletida nalgumhas das situaçons ou reflexons que expom Solleiro. Quem sabe, talvez para os antropólogos do futuro este livro seja um bom documento para entender o que passava pola cabeça das gentes desta época.

A. L.

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